'A gente pode estar com fome, olhando os filhos comerem, quem não pode se segurar são eles', diz mãe em situação de insegurança alimentar

  • 30/05/2024
(Foto: Reprodução)
Mulheres negras, com baixa escolaridade e no trabalho informal são as principais afetadas. Ao todo, são mais de 2 milhões de habitantes vivendo com algum nível de insegurança alimentar na capital. Meio milhão de cariocas não têm o que comer ou se alimentam apenas uma vez por dia, diz estudo Moradora de comunidade, chefe de família e com fome. Esse tem sido o drama de Elane Pereira, que mora no Complexo da Maré e não consegue emprego há 20 anos. Ela é uma entre os quase meio milhão de cariocas que não têm o que comer ou se alimentam apenas uma vez por dia na capital fluminense. Mulheres negras, com baixa escolaridade e no trabalho informal formam o principal perfil de quem está nessa situação, segundo o levantamento feito pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC), da UFRJ, em parceria com a Frente Parlamentar Contra a Fome e a Miséria, da Câmara Municipal do Rio. É a primeira vez que uma cidade brasileira faz esse estudo. Elane se desdobra para cuidar dos 5 filhos. "Às vezes eles pedem um biscoito e você não tem. Eu não consigo nem falar muito. Eu carrego entulho, vendo latinha, vendo coisas para ganhar cinco reais, vou correndo atrás. Eu sou uma mãe que corro atrás mesmo, para não deixar faltar", conta, emocionada. "Tá muito difícil porque não tem nada barato. Até um pé de galinha, que antigamente era R$ 1, tá caro, até R$ 11. A gente se vira nos 30. A gente fica sem nada, fica descalço, a gente pode estar com fome, olhando eles [os filhos] comerem e se segurar, porque quem não pode segurar são eles", lamenta ela. Atualmente, ele consegue pegar cesta básica e quentinhas com a ajuda de uma ONG. "Meu sonho, que eu falo todo dia para Deus, é que Ele pode me levar qualquer hora, mas a única coisa que eu peço é que seja com meus filhos maiores de idade e trabalhando", comenta Elane. Ao todo, são mais de 2 milhões de habitantes na cidade do Rio que estão vivendo com algum nível de insegurança alimentar na capital, seja leve, moderado ou grave. Ou seja, a fome está presente em 7,8% das casas do município. De acordo com documento, a fome extrema é mais frequentes entre as pessoas que vivem em áreas pobres de bairros como Penha, Madureira, Complexos do Alemão, da Maré e o Jacarezinho, todos na Zona Norte. O estudo Idealizado em 2021, durante a pandemia da Covid-19, o relatório levou dois anos para ser iniciado. A metodologia aplicada utilizou a divisão da cidade nas Áreas de Planejamento (APs), que vão de 1 a 5. Estudo mostra que a fome está presente em 7,8% das casas da cidade do Rio. Fábio Tito/ g1 Ao todo, duas mil pessoas – de diferentes bairros e que responderam pela família – foram entrevistadas entre novembro de 2023 e fevereiro deste ano. Dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) foram usados para comparação. Para identificar a fome na capital fluminense, os pesquisadores utilizaram como referência a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), que utiliza quatro critérios para definir a situação de vulnerabilidade das famílias: segurança alimentar; insegurança alimentar leve, moderada ou grave. Entre as inseguranças, a primeira é descrita como uma piora na qualidade dos alimentos consumidos; a segunda se refere a uma redução na quantidade ingerida por adultos; enquanto a terceira (a grave) representa uma redução geral no consumo entre todos os integrantes da família, incluindo crianças — é a fome. Neste último caso, entram as pessoas que vivem com apenas uma refeição ao dia ou passam um dia inteiro sem comer. Mapa da fome no Rio Reprodução/TV Globo Atualmente, os únicos três restaurantes populares municipais (em Bonsucesso, Bangu e Campo Grande) atenderam apenas 6,9% da população carioca. As cozinhas comunitárias e o Programa Prato Feito Carioca foram acessados, de agosto a outubro de 2023, por apenas 2,1% dos moradores da cidade. As visitas às residências de agentes comunitários de saúde também têm se mostrado escassas: 56,5% da população no munícipio relatou ter recebido nos últimos três meses. A pesquisa revelou também, que além da fome, 15% dos lares cariocas não tiveram fornecimento regular de água ou sofreram com a falta de água potável. Dessas famílias, 27% se encontraram em situação de fome.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2024/05/30/familias-em-situacao-de-inseguranca-alimentar-no-rio.ghtml


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